VEJA O QUE MUDOU COM A NOVA NORMA DE SPDA: NBR 5419-2015

PRINCIPAIS REGRAS PARA INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE PARA-RAIOS (SPDA)

O Brasil é o país que mais recebe descargas elétricas no mundo, segundo apontam estudos. Acredita-se que aproximadamente 60 milhões de raios atinjam o solo brasileiro por ano, ou seja, cerca de dois a cada segundo, mas, recentemente, o Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) realizou um levantamento inédito sobre a incidência de raios na primavera em todo o Brasil e constatou que, em 2016, houve o menor registro de raios durante o período observado (2011 a 2016). A maior incidência do período avaliado foi registrada em 2011, por causa do acréscimo acentuado de raios na região Norte, relacionado com o evento La Niña, verificado naquele ano. Após 2011, um decréscimo quase que constante é observado ao longo do período, exceto pela primavera de 2015, em que houve um aumento ocasionado pelo evento intenso El Niño, registrado naquele ano e responsável pelo incremento acentuado dos raios na região Sul e em parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Embora a notícia seja boa, os síndicos não podem descuidar dessa importante proteção aos prédios: os para-raios, pois sua ausência ou sua falta de manutenção pode trazer grandes prejuízos, acidentes e até risco de morte, além de que o síndico pode responder civil e criminalmente no caso de comprovada negligência com a conservação do sistema.

Obrigatória por lei em todo o país e regulamentada pela norma NBR 5419 – Proteção de estruturas contra descargas atmosféricas e de aterramento elétrico, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a instalação de para-raios ainda traz muitos questionamentos aos síndicos e é isso que pretendemos esclarecer neste informativo.

A norma estabelece as condições exigíveis ao projeto e à instalação e manutenção de sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) das estruturas definidas, bem como das pessoas e das instalações dentro do volume protegido. Aplica-se às estruturas comuns utilizadas para fins comerciais, industriais, agrícolas, administrativas ou residenciais, mas não é indicada para sistemas ferroviários, sistema de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica e de telecomunicação externo às estruturas; veículos, aeronaves, navios e plataformas marítimas.

Em 2015, a NBR5419 foi atualizada para proporcionar ainda mais segurança aos condomínios. As principais novidades são a necessidade de uma vistoria visual a cada seis meses e a obrigatoriedade da instalação do Dispositivo Protetor de Surto (DPS) em todos os quadros elétricos de suas áreas comuns, que traz ainda mais segurança para outros sistemas do condomínio, como o CFTV e o portão eletrônico, entre outros.

Mas, na prática, como funcionam os para-raios? Quando um raio atinge um prédio protegido, a descarga elétrica percorre o para-raios, atravessa o sistema de cabos e segue até o solo, sem passar através das partes condutoras da estrutura ou de seus ocupantes, perdendo força e evitando danos e acidentes. Em resumo, os para-raios não impedem que uma descarga elétrica caia em determinado local, mas eles interceptam os raios e levam a corrente para o solo por meio dos fios terra. No caso de o prédio atingido não ter um sistema de para-raios adequado, é possível que haja danos em sua estrutura, além de risco às pessoas que estiverem no condomínio no momento da queda do raio.

Os tipos de para-raios mais usados no Brasil são o Franklin e o Melsens, este mais conhecido como Gaiola de Faraday. O Franklin é composto por uma haste metálica com captadores e cabo de condução que vai até o solo. A Gaiola de Faraday envolve todo o prédio com uma armadura metálica semelhante a uma gaiola, inclusive, atualmente, o Corpo de Bombeiros exige a Gaiola de Faraday para as novas edificações.

O síndico deve estar atento à manutenção preventiva!

Investir em manutenção preventiva pode evitar gastos com cuidados corretivos, que podem acumular problemas e acabar com uma conta gigantesca, por isso o síndico precisa estar atento ao sistema de para-raios que, apesar de ter importante função, não sobrecarrega tanto o orçamento do condomínio.

A empresa responsável pela conservação emite um laudo para respaldar o condomínio e,  no caso de algum sinistro, o seguro cobre qualquer problema, mas se tivermos o seguro e não tiver o para-raios ou eles não estiverem com a manutenção em dia, o seguro se recusa a arcar com os prejuízos causados pelas descargas elétricas.

A instalação do para-raios é importante para fazer com que a edificação tenha pelo menos algum tipo de proteção contra a queda de raios, mas é preciso que o síndico esteja atento ao modo como o processo será realizado. Primeiramente, é fundamental atender rigorosamente à NBR 5419, que normatiza o sistema de proteção contra descargas atmosféricas. Também é importante exigir da empresa contratada que seu engenheiro eletricista responsável seja credenciado ao CREA, que o material utilizado seja normatizado e o relatório de medição ôhmica tenha a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) emitida por profissional vinculado ao CREA. É imprescindível ainda verificar a parte superior do Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), que compreende os isoladores, o mastro, o captor e os terminais, para saber se está, de alguma forma, comprometida (podre ou quebrada) e, na parte inferior, fazer a medição ôhmica do aterramento.

A inspeção do sistema SPDA deve ser anual, na qual devem ser observadas as condições gerais do material que compõe o sistema; havendo necessidade, um orçamento nesse sentido é enviado ao responsável para apreciação e deliberação. A cada cinco anos, uma inspeção com medição completa deverá ser efetuada e o resultado precisa ser submetido ao responsável pela edificação. Não há um época específica para se fazer esse tipo de manutenção, pois, pelo fato de o Brasil estar numa região tropical, o país está sujeito a esse evento com mais frequência. No caso do estado do Rio de Janeiro, as épocas de maior incidência são o verão e o outono, mas, em regra geral, é bom que se faça a conservação a cada 12 meses. É mais garantido. Também é importante que o serviço seja realizado por empresa especializada, idônea, comprometida com as atualizações pertinentes, que respeite o consumidor e preste um serviço de qualidade no mercado de para-raios.

Outra dica importante, é que os síndicos estejam atentos com relação à instalação de antenas, sejam elas de TV ou de operadoras de celular, pois elas costumam ser colocadas no topo dos prédios e, por isso, precisam estar aterradas, conectadas ao sistema de para-raios.

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